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Questionado sobre neutralização de atirador, corregedor-geral da PM disse que “tiro na perna é coisa de filme”.
Questionado sobre neutralização de atirador, corregedor-geral da PM disse que “tiro na perna é coisa de filme”.| Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná

A Polícia Militar do Paraná defendeu que a atuação da corporação no caso que resultou na morte de um soldado da PM e da ex-companheira dele, em Curitiba, seguiu todos os protocolos internos para este tipo de atendimento. O soldado Dyegho Henrique Almeida da Silva usou a própria arma funcional para matar a ex-companheira, Franciele Cordeiro e Silva, na tarde desta terça-feira (13). Depois de mais de quatro horas de negociação, ele acabou tirando a própria vida.

Em uma entrevista coletiva concedida na quarta-feira (14), o major Carlos Alberto Rocha, comandante do 12º Batalhão da PM e responsável pelo policiamento no local do crime, confirmou como corretas as medidas tomadas pelos policiais que fizeram o primeiro atendimento da ocorrência. Segundo ele, ao chegarem ao local, os agentes de segurança não sabiam que o agressor era soldado da PM.

“Por volta das 17h, uma equipe da PM que estava em patrulhamento ouviu os disparos e acabou se deparando com essa situação, com um indivíduo não identificado com uma arma na mão em via pública que havia acabado de desferir disparos contra um veículo. Não havia informações mais detalhadas sobre a ocorrência”, revelou.

Perguntado sobre se os policiais poderiam ter atirado contra o soldado Almeida assim que chegaram ao local, o major Rocha apontou que a polícia só deve usar força letal para proteger a própria vida dos agentes ou a vida de terceiros. “Naquela circunstância, os policiais que fizeram a primeira intervenção entenderam que era caso de recuar, se abrigar e pedir apoio para o gerenciamento da crise”, avaliou.

Laudo do IML vai confirmar momento da morte de Franciele

Ao ser questionado se o atirador poderia ter sido contido e Franciele atendida por equipes de paramédicos, o major disse que somente o laudo da Polícia Científica poderá atestar com precisão o momento da morte da jovem. A postura agressiva de Almeida durante as negociações, afirmou o major, impediu uma ação mais direta dos policiais em relação ao soldado da PM.

“Não posso responder em que momento ocorreu o óbito. Precisaremos aguardar os laudos da Polícia Científica, que serão assinados pelos médicos legistas. Mas eu posso afirmar que sempre que as equipes procuravam avançar na direção do causador do evento crítico, ele reagia de maneira agressiva, colocando a arma na cabeça. Levando em conta que nós não conhecíamos o todo, e hoje nós sabemos mais do que sabíamos ontem no calor dos eventos, o protocolo número um sempre foi a preservação das vidas”, respondeu Rocha.

"Tiro na perna é coisa de filme", diz corregedor-geral da PM

O corregedor-geral da PM, coronel Dorian Nunes Cavalheiro, foi ainda mais enfático na defesa do primeiro atendimento dado pelos policiais militares. A identificação de Almeida como um soldado da Polícia Militar só ocorreu quando ele foi reconhecido por outros policiais que chegaram ao bairro Rebouças, já durante as negociações para que o agressor se entregasse.

“A equipe no local não sabia de nada disso, dados sobre o relacionamento conturbado entre ele e a ex-esposa, que havia um boletim de ocorrência, essas coisas. Se ele era ou não PM, também não se sabia. Tiro na perna, no braço, é coisa de filme, isso não existe na vida real. Na vida real é diferente. Quando se vai para um confronto, se vai para uma região vital, não existe outra forma. Se tivéssemos todos esses dados, é lógico que o desfecho da ocorrência seria diferente”, pontuou Cavalheiro.

Corregedor fala em possível premeditação

O corregedor-geral reforçou que o desconhecimento sobre outros fatos, como a existência de uma medida protetiva concedida pela Justiça a Franciele contra o ex-companheiro, impediu que houvesse qualquer ação contra a devolução da arma funcional de Almeida – usada por ele nos crimes. Cavalheiro também disse que a morte da jovem pode ter sido premeditada pelo soldado.

Ele pegou a arma entre às 16h e 16h30, e provavelmente já tinha essa intenção. Mas por que não entregaríamos a arma? Tinha algum motivo que dissesse para nós que não poderíamos [devolver a arma]? Não tinha. Se tivéssemos o conhecimento de que havia essa medida protetiva, talvez fosse diferente. Ela foi na corregedoria às 15h40, saiu de lá e o fato ocorreu. Pode ser que fosse premeditado”, comentou.

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