A tentativa de assassinato contra Bob Marley que inspirou novo filme

A tentativa de assassinato contra Bob Marley que inspirou novo filme

Músico e outras três pessoas foram atingidos por tiros — incluindo sua esposa, Rita, na cabeça — que felizmente não foram fatais, mas expuseram tensões políticas na Jamaica

“Bob Marley: One Love” é a mais nova cinebiografia baseada na vida e obra de um artista de renome — no caso, Bob Marley, o maior astro da história do reggae. Um dos maiores ganchos do enredo é a tentativa de assassinato que o músico sofreu em 1976.

Apenas meses antes de descobrir o câncer que tirou sua vida em 1981, Marley foi vítima de um crime, com motivações políticas, que chocou o mundo. Além dele, foram feridos sua esposa, Rita; seu empresário, Don Taylor; e um membro da equipe de sua banda, mas não houve nenhuma fatalidade.

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Turbulência política na Jamaica

“Bob Marley: One Love” se passa entre os anos de 1976 e 1978, época em que a Jamaica vivia um período de turbulência política. Desde sua independência em 1962, o país caribenho era dominado por dois partidos políticos que rivalizavam pelo poder.

O primeiro é People’s National Party (PNP, que podemos traduzir como “Partido Nacional Popular”), de esquerda e liderado pelo primeiro ministro jamaicano da época, Michael Manley.

Já o segundo que lutava pelo poder na nação se chamava Jamaica Labor Party (JLP, que pode ser traduzido como “Partido Trabalhista da Jamaica”). Sua orientação era de direita e tinha como líder Edward Seaga.

Se não bastasse essa questão, também havia outro fator em jogo que piorou a situação: os Estados Unidos não viam o governo de Michael Manley com bons olhos, pois tinham receio de que a Jamaica se tornasse uma nova Cuba.

No meio deste jogo, estava Bob Marley, que já era um artista conhecido. No fundo, ele não apoiava nenhum dos dois partidos, mas sua influência trouxe atenção para os problemas vividos no país e, sem querer, o transformou em um rival político do governo local. Afinal de contas, suas músicas abordavam temas como pobreza, injustiças sociais e tensões políticas.

Tentativa de assassinato contra Bob Marley

A tentativa de assassinato contra Bob Marley ocorreu na noite de 3 de dezembro de 1976, dentro da própria casa do cantor, que ficava em Kingston, capital da Jamaica.

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Marley e sua banda estavam no local ensaiando para o Smile Jamaica Concert, show beneficente que tinha o intuito de diminuir as tensões políticas no país. O gigante do reggae estava escalado e era a grande atração.

Era aproximadamente 20h30 quando sete homens armados invadiram a residência de Bob. O cantor e sua banda haviam feito uma pausa no ensaio quando foram atacados.

Marley foi atingido por disparos no peito e em um dos braços, sem grande gravidade. Sua esposa, Rita, foi a primeira a ser atacada e levou um tiro na cabeça.

O empresário do cantor, Don Taylor, foi atingido em uma das pernas e no peito. Por fim, a outra vítima do ataque foi Louis Griffiths, funcionário de apoio da banda do cantor, também baleado na altura do peito.

Apesar de todos terem sido atingidos em área sensíveis, nenhum dos quatro morreu.

Teorias, exílio e redução das tensões políticas

Até hoje, não se sabe exatamente quem ordenou a tentativa de assassinato contra Bob Marley. Mas não demorou muito para o mundo inteiro acreditar que o crime teve motivação política.

A ideia mais aceita é a de que apoiadores da JLP queriam matar Bob Marley por acreditar que suas músicas endossavam as políticas e ideias do PNP, que ocupava o poder na Jamaica. Com a apresentação prestes a acontecer, havia um receio entre eles de que o evento deixasse o grupo rival mais forte.

Há quem também acredite que o próprio PNP orquestrou a tentativa. Desta maneira, Bob se tornaria uma espécie de “mártir” e daria mais força política ao partido – afinal, as canções do artista casavam com os ideais socialistas da organização.

De qualquer maneira, o acontecimento não calou Marley. Dois dias mais tarde, o cantor não se deixou abalar e se apresentou, sob forte esquema de segurança, no Smile Jamaica Concert.

No entanto, a tentativa de assassinato e toda a turbulência política do país fizeram Bob Marley se autoexilar no Reino Unido durante algum tempo. Foi durante este período que ele produziu o álbum “Exodus”, que traz alguns dos seus maiores sucessos, como “Three Little Birds”, “One Love” e “Jamming”.

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O músico só retornou ao país natal em abril de 1978, em uma ocasião especial: para tocar no concerto One Love, no qual levou Michael Manley e Edward Seaga ao palco e os dois adversários políticos se cumprimentaram. O acontecimento ajudou a reduzir as tensões políticas na Jamaica.

Os políticos voltaram a se encontrar em 1981, com Seaga agora no poder, justamente no velório de Bob Marley, que faleceu por complicações de um câncer de pele. Ele tinha 36 anos.

O filme “Bob Marley: One Love”

Dirigido por Reinaldo Marcus Green (“King Richard”), “Bob Marley: One Love” estreou no último dia 15 de fevereiro. Rita, viúva do cantor, além dos filhos Ziggy e Cedella estiveram envolvidos na produção.

O ator Kingsley Ben-Adir interpreta o papel principal. Ele despontou em “The AO”, da Netflix. Recentemente, participou das filmagens de “Secret Invasion”, minissérie de seis episódios do universo Marvel que vai ao ar ainda este ano e traz Samuel L. Jackson como Nick Fury.

A trama retrata o período que antecedeu o concerto One Love Peace Concert, realizado dia 22 de abril de 1978 no Estádio Nacional em Kingston. O evento ocorreu em meio a uma crise política de grandes proporções na Jamaica. Durante a apresentação com o The Wailers, Marley levou ao palco os rivais políticos Michael Manley (Partido Nacional Popular) e Edward Seaga (Partido dos Trabalhadores da Jamaica).

Sobre o músico

Nascido em Nine Mile, Jamaica, Robert Nesta Marley foi responsável por popularizar o reggae mundialmente, se tornando o músico mais conhecido a surgir em países do chamado Terceiro Mundo.

Em toda a carreira, vendeu mais de 75 milhões de discos (um terço desse número com a coletânea “Legend”, lançada três anos após seu falecimento), com músicas que versavam sobre espiritualidade e problemas político-sociais. Morreu em 1981, de câncer, aos 36 anos.

*Texto escrito com informações da Time, Radio Times e Wikipedia.

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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