Beatriz Milhazes faz experiências artísticas em exposição em Nova York
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Beatriz Milhazes faz experiências artísticas em exposição em Nova York

Artista carioca deixa as figuras circulares para apostar nas diagonais

20 set 2022 - 20h10
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THE NEW YORK TIMES - LIFE/STYLE - Beatriz Milhazes tinha medo de diagonais. "Elas eram perturbadoras", disse ela, "empurrando você para fora da tela".

Nos últimos dois anos, no entanto, a artista brasileira radicada no Rio de Janeiro vem explorando essas linhas angulares em suas pinturas e descobriu que elas realmente davam aos seus círculos característicos uma qualidade tridimensional - transformando-os em globos, evocando o mundo natural e o planeta, que ela passou a apreciar cada vez mais durante a pandemia.

Os resultados estão agora à vista na Pace, no bairro de Chelsea, em Manhattan, a primeira exposição individual de Milhazes desde que ingressou na galeria em 2020 e sua primeira exposição em Nova York em quase uma década.

"Eu me sinto como uma cientista. Trata-se de experimentar coisas novas e se desafiar", disse Milhazes, 62 anos, em uma entrevista recente na galeria, onde suas pinturas acabaram de ser instaladas. "Eu precisava desse tipo de provocação - apresentar algo que você teme ser uma boa coisa a se fazer. E as diagonais são algo que sempre temi, o desequilíbrio que elas criam. É por isso que descobri que precisava enfrentá-lo."

Na década de 1990, ela desenvolveu uma técnica de colagem em que pinta em uma folha de plástico transparente e depois cola na tela e descola, imprimindo o desenho.

O curador e crítico brasileiro Paulo Herkenhoff trouxe americanos para visitar o estúdio de Milhazes, incluindo Armstrong, então curador do Carnegie Museum em Pittsburgh.

"Foi simplesmente surpreendente", disse Armstrong. "A delicadeza de sua técnica, a vibração de sua cor - os quadros cantavam no momento em que eu os olhava, tinham uma vitalidade única."

Sua primeira grande exposição em museu - na Ikon Gallery em Birmingham, Inglaterra, em 2001 - viajou para o Museu de Arte de Birmingham, no Alabama. O trabalho de Milhazes foi incluído na Bienal de São Paulo em 1998 e 2004. Em 2003, representou o Brasil na Bienal de Veneza e em 2009 teve uma retrospectiva na Fundação Cartier em Paris.

Ela teve projetos de arte pública em Nova York; em Manchester, na Inglaterra; e nas ilhas Inujima e Naoshima, no Japão.

Influências

A obra de Milhazes é muito influenciada por sua forte ligação com o Brasil - os jardins botânicos e a floresta da Tijuca; o carnaval do Rio; movimentos musicais como a Bossa Nova; o oceano.

"Muitas de suas colagens são feitas com material de origem que ela encontrou em favelas ao redor do Rio - embalagens velhas de doces, itens descartados da cultura de consumo local", disse Adam Sheffer, um negociante que é amigo - e coleciona - a obra de Milhazes e que a trouxe para a Pace quando ele estava trabalhando na galeria. "Também sua técnica em que usa esses estênceis atritados permite que se tenha uma granulação."

Tendo passado 16 anos na galeria James Cohan, Milhazes disse estar pronta para uma mudança "para continuar em movimento, senão você fica preso".

"Havia algo muito tradicional em sua abordagem de fazer arte", disse Cohan. "Celebrar a beleza e a cultura através da abstração quando o mundo estava se movendo em direção à política de identidade - ela era meio desafiadora em sua posição, e tenho grande respeito por isso."

Com o seu novo corpo de trabalho, Milhazes disse que voltou à figuração, em particular às flores. "Eu queria introduzir novamente alguns elementos que eu estava perdendo", disse ela. "As flores são um elemento que está comigo desde o meu início e evoluiu."

"É sobre a natureza - cores, possibilidades, rituais de vida e morte", continuou ela. "Eu queria pintar de novo. Quando você realmente olha para uma flor, você vê quantos detalhes e cores existem dentro dela. Eu queria ter essa prática novamente. Se eu puder trazer um pouco de vida às pessoas, estou satisfeita."

Estadão
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