"É cada uma, né? No Brasil, encarcerado tem celular com crédito."

"É cada uma, né? No Brasil, encarcerado tem celular com crédito."




Eram 6 horas da manhã e eu recebi uma ligação da cadeia. Eram dois cariocas forjando o sequestro da “minha filha”. Assim que atendi o telefone, o primeiro bandido fez uma voz chorosa e aguda. Alegou que conseguiram entrar em casa. O segundo fingiu tirar o celular do primeiro E falou naturalmente, com um sotaque carioca bem puxado: – A parada é a seguinte, tô com a sua filha, não precisa envolver polícia. Tô “precisano” de uma quantia e não vou fazer nada com ela, porque eu não sou covarde. Eu estava me segurando para não rir, e respondi:
– Tem algo errado. – respirei fundo – Minha filha é transsexual não-binário. 
– E o que isso tem a ver? – perguntou o meliante em tom de indignação. 
– A voz dela está mais grave, por causa da suplementação de testosterona. – esclareci. Houve uma pausa constrangedora
O suposto sequestrador resolveu ignorar e dizer: 
– Olha, cê tem que transferir R$ 7 mil para salvar sua filha. Se não fizer isso, vou ter que matar. 
– Meu Deus! Tem uma outra questão. – alertei. 
– Qual? – indagou o bandido Respondi com firmeza: 
– “Minha filha” nunca esteve no Rio de Janeiro. Surpreso, o bandido respondeu: – E quem disse que extou no Riu di Janeiro? Exxxtou no interior do Sul. E eu rebati: – Então, fala “bah” e “tchê”. Impaciente, o bandido disse:
– Olha, vai transferir o dinheiro ou eu vou ter que matar sua filha? 
– Pode matar. Eu acredito em reencarnação. Ela vai nascer de novo. A ligação foi encerrada. É cada uma, né? No Brasil, encarcerado tem celular com crédito. Kkkkkkk Beijo, gente!

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